Quando era mais nova, uma
professora minha disse-me: “A menina vai sempre longe demais no que respeita à
análise de textos, cinja-se ao que lhe é pedido”.
As minhas interpretações tinham
não só que ver com o que o autor queria transmitir o que nos obrigavam a
escrever, mas também com o que eu achava aplicável à vivência do mesmo – que nem
sempre era tão taxativo como o que vinha nos livros. Enfim, era um bocadinho
autodidata! Mas não é isso que é também elemento de uma boa “interpretação”? Para
mim uma boa interpretação não se prende apenas com o que a vista alcança, mas
sim com a capacidade de aferição e apreensão do que se passa nas entrelinhas.
E este precalço aplica-se à
minha vida quotidiana. Ainda ontem, estava a conversar com uma amiga sobre os
desfiles Primavera 2013
(NÃO PERCAM O TREND
REPORT PRIMAVERA 2013 NOS PRÓXIMOS DIAS).
Falou-se de uma das mensagens
transmitidas no desfile de Chanel: moinhos eólicos cravados pela passerelle,
igual a, energias renováveis: a necessidade que o Mundo tem de investir nas
fontes de energia renováveis em detrimento dos combustíveis fósseis, a
crescente preocupação com o meio ambiente, nomeadamente com o aquecimento
global.
Até aqui tudo bem.
Mas depois chegámos à exuberante
coleção de Sara Burton para Alexander McQueen, inspirada nas abelhas e nas
colmeias. Primeira linha de raciocínio que me surge: cintura marcada (de
abelha/vespa), os recortes em forma de favos de mel (recortes - tendência Primavera 2013),
chapéus que fazem alusão à apicultura… Tudo conjugado de uma forma maravilhosamente
exuberante, característica de Alexander McQueen.
Mas não poderíamos aplicar este
conceito ao que se vive actualmente na Europa, por exemplo? A crise. O facto de
precisarmos de trabalhar para um bem maior (não, não sou a favor dos termos
como tudo está a ser tratado).
Se a Moda sempre foi um espelho
da sociedade porque é que não o seria agora?
Se em tempos de crises anteriores
as bainhas subiram, as meias foram retiradas e a maquilhagem poupada, porque
não poderiam os criadores das grandes casas dar mostras do que se vive hoje no
nosso Mundo?
Estarei a “ir longe demais” outra
vez, ou devo mesmo ir?
Ufa.
Muuakk*



Sem comentários:
Enviar um comentário